Releitura de Iracema – filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna

Gravado nos confins amazônicos do Brasil de 1974, retrato fidedígno da realidade pré-apocalíptica duma sociedade quase anárquica, revela nossas origens tão recentes e toscas.

Somos todos toscos máxima do Poema do Cú, difícil é acreditar que em tão pouco tempo: de 1974 para cá tenhamos mudado muito daquela realidade tão bem retratada pela obra quase jornalística de Jorge Bodanzky e Orlando Senna.

Nosso “eu” é o ator principal, claro, embedido de muita certeza de sí, desprovido de compaixão e empatia. O ator Paulo César Pereio que representa Tião também representa nos dias de hoje todos aqueles que se dão o trabalho de interegir nas redes sociais apenas para criticar, humilhar ou odiar. Tião é o alter ego do brasileiro, cuja representação também se fez pelo personagem Tonho da performance Amor de Puta de Davi Pinheiro.

Já a atriz Edna de Cássia de apenas 15 anos de idade na época da gravação de seu brilhante papel como Iracema, hoje representa todas as mulheres sem propósito na vida a não ser beleza e dinheiro, que ao final sempre terminam feias, banquelas e fudidas.

Importante devagar que nossas origens toscas são nossas, e isso nunca irá mudar, devemos aceitar os fatos e mirar no futuro em vez de nutrir pensamentos apátridarísticos, pois neste caso apenas confirmamos nossa essência tosca. Não há para onde ir, não tem como fugir de nosso pasado, não nos resta alternativa senão evoluir.